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PRESTE ATENÇÃO!!!
Há algumas décadas as organizações começaram o processo de se tornarem complexas. De início, buscando atender um mundo carente de produtos. Tudo que se produzia se vendia. Havia uma demanda muito maior que a oferta. Depois de atendida essa demanda, já com organizações bem grandes e complexas, se iniciou um processo de diversificação de produção e de prestação de serviços. Todo esse processo ocorreu no século XX, justamente nos 100 anos de maior transformação da humanidade.
Toda essa evolução fez com que as empresas não mais se satisfizessem com o mercado local e passassem a buscar novos espaços para atuarem, produzirem e venderem seus produtos e serviços. Dessa ampliação se seguiu uma necessidade cada vez maior de informação, pois a complexidade exige melhores visões e decisões, algo que tende a ser conseguido com uma disponibilidade correta de informações.
À necessidade de informação fez-se criar um foco na produção e distribuição da mesma, que resultou em uma infinidade de sistemas, tecnologias e processos. Do resultado, não somente se atendeu o que se precisava como se superou em muito essa demanda, levando ao ambiente organizacional uma tempestade quantitativa de dados, definições e conceitos que mais trouxe dúvidas do que esclarecimentos.
Desse modo, saímos de uma realidade de escassez de informação para uma onde há o seu excesso. A grande questão é que, para muitas organizações, este é o contexto onde ainda não se aprendeu a lidar com o furacão que aflige diariamente o ambiente e as pessoas.
A produção e a disseminação de informações não têm limite, mas a capacidade humana de lidar com elas, sim. As pessoas têm um limite orgânico em termos de atenção. Temos dificuldade em fazer coisas simultâneas e se “forçamos a barra” tendemos a comprometer a qualidade de uma delas. Um exemplo disso são os motoristas imprevidentes que tentam dirigir enquanto falam nos celulares: nem bem prestam atenção ao trânsito nem conversam corretamente, pois para que uma das ações seja satisfatória a outra deve ser piorada. Isto é atenção! No mundo de hoje, é algo valioso que muitos ainda não perceberam a sua importância.
Segundo Davenport (2001) em seu livro “A economia da Atenção”, nesse mundo da informação, a moeda mais valiosa que existe é a ATENÇÃO. Precisamos ser cuidadosos com a própria atenção e ao mesmo tempo sermos capazes de obter a atenção dos outros. Na verdade, trata-se de uma arte que alguns profissionais como os jornalistas e publicitários já vêm desenvolvendo há tempos, mas que agora se tornou crucial a todos os profissionais e profissões.
Você já passou pela experiência de desenvolver um relatório, texto ou desenho que lhe deu muito trabalho (e que você achava o máximo) e, quando ao passar para outra pessoa a mesma olhou com desdenho, superficialmente ou disse que ia dar uma conferida depois e nunca mais falou a respeito? Não é que o trabalho fosse ruim, você apenas não foi capaz de obter a sua devida atenção!
Portanto, no contexto em que vivemos precisamos de informação, mas devemos ser cuidadosos com a questão da atenção. Se você chega ao trabalho e olha para sua mesa cheia de papéis, relatórios, livros, revistas; liga o computador e recebe dezenas de e-mails; a agenda está lotada de reuniões, contatos a fazer e respostas a dar; pessoas começam a te procurar, o telefone toca... o que faz? A que ou a quem você vai dar atenção?
Você não está sozinho nesse contexto. Estamos sempre com excesso de questões a serem atendidas e cada vez com mais dificuldade em definir a qual questão priorizar. Mas vejamos o contrário: e se na mesa de outra pessoa tem um relatório seu, um e-mail seu, uma reunião a fazer com você, um retorno que você solicitou ou qualquer outra coisa que você espera que ela faça. Será que ela vai lhe dar a devida atenção em meio àquela enchente de coisas?
Percebe como a questão da atenção ganha relevância? Pois então, não diga que você não foi avisado. Agora não pode mais ignorar, ou seja, não pode mais deixar de dar atenção à questão da atenção. Mas, como é que se faz para dar atenção à questão da atenção?
Não há uma receita de bolo, mas sim algumas regras básicas. A regra de ouro é saber distinguir o urgente do importante. Nem sempre o urgente é importante, mas o importante é sempre carente de atenção e em alguns casos, urgente. Portanto, saber graduar a importância e urgência entre suas demandas de atenção é um bom começo.
A organização do espaço também ajuda. Não é uma questão de obsessão com organização, mas no meio do caos fica difícil perceber o que está a ser feito. Muita coisa importante pode estar debaixo do tapete e você não se lembrará de dar a ela a devida atenção.
A organização do tempo é outra questão importante. Iniciar ou terminar um dia fazendo um check-list é um hábito eficaz para quem quer dar atenção à coisa certa. Tente listar suas demandas e organizá-las temporalmente. Você verá que essa atenção de alguns minutos poderá lhe retornar ganhos enormes de tempo para dedicar-se a questões importantes.
A seleção de elementos de atenção também serve para nos dedicarmos com maior profundidade. Se por exemplo você dedica tempo a três revistas que lidam com conteúdos semelhantes, escolha apenas uma e dedique tempo e atenção a ela. Tentando ler todas, você acabará ansioso e dividido, passará superficialmente por elas e não apreenderá nada ou pouca coisa. Por isso, ao selecionar os elementos que irá se dedicar, além de melhorar sua apreensão, você estará fazendo economia de tempo, dinheiro e atenção.
Por fim, temos algo muito importante para a questão da atenção: a bússola! A definição do urgente e do importante tem a ver com o “norte” que foi eleito por você em termos profissionais e pessoais. Desse modo, ao saber onde se quer chegar, fica muito mais fácil estabelecer o caminho, dando a devida atenção às questões que irão te levar lá. Só não se esqueça de ir tomando cuidado para não se “dis_TRAIR” com coisas que não irão te levar a lugar nenhum ou a lugares que você não deseja chegar.
Tome consciência da importância da atenção e do seu presente. Procure organizar-se. Selecione seus canais de atenção, melhore o uso do seu tempo, determine seu “norte” e procure identificar o que é importante, o que é urgente e principalmente, o que é urgente e importante. Pense na atenção como se ela fosse o seu orçamento financeiro. Você não tem dinheiro pra tudo, mas precisa usá-lo de forma sábia por ser escasso. Não gaste sua atenção com bobagens!
Obrigado pela atenção!
Henrique Castelo Branco
Consultor Associado à MEDIARE RH, atuante nas áreas de Empreendedorismo, Plano de Negócios e Gestão da Atenção e Indutores e Bloqueadores de Fluxo.
Por: Henrique Castelo Branco | 01/07/2009
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