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A informação, a atenção e a decisão!



É sabido que tomar decisões com maior grau de certeza é algo que depende de boa informação. Também se sabe que boa informação precisa ser adequadamente analisada pelo decisor para que sua utilidade seja maximizada. Em outras palavras, é preciso se ter informação para decidir bem e essa, precisa ser compreensível e passar um conteúdo que seja efetivamente necessário para a decisão.
Vemos então que o decisor precisa ser uma pessoa que gere bem informação. Porém, receber e analisar informação são ações que procedem a um importante momento, no qual se identifica que informações são importantes para a decisão. E isso tem relação não somente com o gerir informação, mas também com o gerir a atenção.
A percepção, escolha e busca de informação é um ato de atenção plena. É preciso que se entendam os diferentes contextos no qual a decisão está envolvida, que informações são preciosas nesse contexto, onde elas estão – caso existam – e ainda como podem ser acessadas. Somente depois de tudo isso é que se pode pensar na aquisição e análise de informações para a tomada de decisão.
Mas a atenção não se relaciona apenas com essa primeira fase do ciclo informacional. Ela também é importante para que o decisor perceba a informação e a analise. Decisores com muita tensão e pouca atenção, se vêem pressionados e ao mesmo tempo inclinados a decidir mais pela intuição do que pela razão. E intuição não é a praia da informação, pelo menos da informação externa à pessoa. Essa atitude de desprezar informações para a tomada de decisão muitas vezes é inconsciente. A pessoa em meio à pressão, simplesmente não consegue estar atenta o suficiente para perceber a informação e muito menos tem “cabeça” para analisar informações para a tomada de decisão. Desse modo, a redução da incerteza é abandonada e o risco é aumentado em termos de se tomar más decisões.
Vemos que a tomada de decisão é então bastante relacionada com a capacidade de atenção da pessoa e essa, varia conforme o momento, pressão e tempo disponível por parte do tomador de decisão. Acontece que algumas pessoas mesmo pressionadas e envolvidas em situações complexas e de grande ameaça, conseguem manter bom nível de atenção e fazer uso das informações disponíveis. Porque algumas pessoas conseguem isso enquanto outras mergulham no mar de decisões de alto risco?
Podemos crer que pessoas mais conscientes da própria atenção, que se mantém mais tempo prestando atenção à própria atenção, se tornam gestores da mesma a ponto de não sofrerem tanto com o aumento da tensão. São capazes de se manter no olho do furacão em meio à tormenta, não se entregando às distrações, falta de concentração, perda da percepção e do raciocínio. Senhores da própria atenção, se mantém eficazes em gerenciá-la em diferentes contextos, tendo condições de reduzir o grau de incerteza e incluir a dose certa de intuição em suas decisões.
Mas como podemos nos tornar dirigentes da própria atenção? Por que se ouviu falar tão pouco em gestão da atenção? De que modo se pode começar a caminhada em busca de se tornar uma pessoa mais atenta?
Essas são perguntas que vem ganhando relevância nas últimas décadas. Pesquisas em diferentes áreas – cognição, neurociência, psicologia, administração, psiquiatria, etc. – tem criado um rol de conhecimentos que tem se cruzado e se complementado, gerando percepções sobre o assunto que eram desconhecidas até poucos anos atrás.
Hoje se sabe do quanto somos limitados em termos de amplitude de atenção e que a mesma não pode ser alterada, apenas melhor administrada. Também se evoluiu nos estudos dos distúrbios relacionados à atenção e se descobriu que fatores genéticos, sociais, comportamentais e culturais afetam o “perfil” de atenção das pessoas.
Os chamados modelos mentais, mais ou menos flexíveis, influenciam a atenção, dando vazão ou não ao novo, ao diferente, ao inovador. Todos esses elementos, antes desconhecidos e até recentemente desconexos, começam a criar uma aproximação das pessoas à sua própria atenção. Começamos a ver que ela tem um importante papel em nossas vidas e que não somos, como muitos pensam, programados para potenciar seu uso. Pelo contrário, somos pessoas que, via de regra, permitem situações e hábitos que comprometem o uso de nossa atenção. Falta uma educação da atenção e isso está cada dia mais claro.
O objetivo aqui é apenas alertar os tomadores de decisão de que precisam começar a fixar mais sua atenção à questão da informação e da atenção caso desejem se tornar melhores decisores. Estar atento à própria atenção, desenvolvendo hábitos positivos da atenção, utilizando ferramentas de potencialização da atenção, não somente pessoal, mas de grupos e da própria organização parece fazer parte da agenda dos executivos de alto desempenho no século XXI.
Pense nisso e passe a prestar mais atenção à atenção e ao que ela significa, como funciona e como pode ser gerida. Os ganhos virão e não apenas na tomada de decisão.
Experimente e verá!

Por: Henrique Castelo Branco | 11/05/2010
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