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Equilíbrio Dinâmico da Atenção
Quem nunca andou de bicicleta? Quem já não ralou os joelhos tentando aprender? Bem, depois da invenção das rodinhas laterais de apoio talvez tenham ocorrido menos tombos. Mas o fato é que custamos a aprender uma coisa que depois de algum tempo se torna tão familiar quanto o próprio caminhar. Simplesmente se sobe na coisa e ela desliza suavemente.
Um fato interessante desse processo é que ninguém consegue aprender a andar de bicicleta ouvindo alguém explicar como se faz. Não seria muito promissor um curso de “pilotagem de magrelas” à distância. Andar de bicicleta é algo que se aprende com a própria experiência.
As experiências de outros podem até nos guiar, podem até nos dar uma idéia do que fazer. Mas é subindo na bicicleta que temos a exata noção da importância do equilíbrio nesse processo todo. Não do equilíbrio semelhante ao de um vaso sobre a mesa, pois essa não é bem a situação de quem está sobre uma bicicleta. O vaso não precisa de nada para permanecer em equilíbrio. Equilibrar-se sobre uma bicicleta exige que ela se movimente.
Refiro-me aqui ao equilíbrio dinâmico. Não precisamos ir tão fundo nem rever a segunda lei de Newton para perceber que andar de bicicleta requer a habilidade de manter o equilíbrio de um sistema (você, a bicicleta) em movimento constante. Constante no sentido de que se parar de pedalar a bicicleta em algum momento tomba. E você junto! É preciso pedalar e manter certa velocidade para que o sistema continue fluindo.
No início isso é complicado, mas com o tempo adquirimos mais habilidades e passamos a fazer curvas fechadas e desviar de obstáculos com naturalidade.
O difícil é justamente dar atenção a várias coisas simultaneamente sem compreender direito como elas afetam o sistema. Depois que percebemos que não é a força, mas a coordenação e a constância que fazem a diferença, pronto, estamos andando de bicicleta!
Na verdade, podemos transportar isso para nosso dia a dia se considerarmos que nosso foco de atenção deve ser dirigido de uma direção para outra de acordo com o contexto. Em certos momentos é necessário focar uma única coisa de modo intenso, como um projeto, um problema ou qualquer outra coisa que exija dedicação total. É a situação do predador diante da caça. Em uma importante negociação, por exemplo, ninguém participa efetivamente de uma negociação pensando no próximo feriadão ou em algum time de futebol.
Em outros momentos devemos estar atentos à nossa volta e prontos para perceber alterações importantes no ambiente. Quando não se sabe de onde as mudanças virão é necessário ampliar o leque de observação, pois quando focamos em algo deixamos de ver o que está ao redor e assim podemos perder oportunidades ou correr riscos desnecessários. Você jamais verá uma Zebra desatenta pastando numa região cercada por leões (ao menos por muito tempo). Se quiser permanecer viva ela estará atenta a tudo a sua volta.
Voltando às organizações, na elaboração de uma estratégia organizacional ou no estudo de um determinado mercado quanto mais focarmos algo específico mais desfocaremos de outras coisas. Nesse caso, o problema não reside no ato de focar, mas no ato de não nos “atentar” ou perceber fatores relevantes ao processo. Elencar fatores estratégicos equivocados em detrimento de outros, por exemplo. Isso ocorre com freqüência, principalmente porque o processo de formulação estratégica depende da interpretação que os gestores fazem das variáveis em jogo. Ora, fica fácil deduzir o desfecho do raciocínio se nos lembrarmos que a atenção relaciona-se estreitamente com a percepção e a interpretação. Eu interpreto o que percebo e percebo aquilo que dou atenção. Nas palavras de Willian James "No momento, àquilo que prestamos atenção é a realidade".
Voltando à questão do equilíbrio dinâmico, é importante destacar que o foco da nossa atenção deve ser direcionado de acordo com o contexto. Há momentos de foco e momentos de difusão. Saber transitar em cada um desses pontos é uma questão de equilíbrio entre um contexto e outro.
A focalização de nossa atenção é dinâmica e isso é perfeitamente normal. Precisamos dar atenção à diferentes coisas durante um único dia. O equilíbrio é conseguido quando o deslocar-se de um para outra se torna um ato consciente. Se não o for estaremos sendo levados pela nossa atenção, sendo governado por ela. O que se pretende com a gestão da atenção é justamente o oposto disso.
Ao andar de bicicleta damos atenção ao pedalar ao mesmo tempo em que nos desviamos dos obstáculos e observamos a paisagem. Conseguimos o equilíbrio dinâmico sem esforço e sem estresse quando naturalmente voltamos nossa atenção ao que é relevante de modo coordenado, seja para manter a velocidade e não tombar, seja para corrigir a rota.
Fique atento.
Cláudio Aurélio Hernandes – 09/2009
Por: Cláudio Aurélio Hernandes | 04/05/2010
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