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A SÍNDROME DA BATATINHA FRITA!!
Imagine que você está sentado, pronto para almoçar. Uma pessoa lhe traz um prato com legumes, verduras, carne, arroz, feijão e batatas-fritas. Ela coloca o prato na sua frente. Qual é a sua reação mais comum? Fisgar uma batatinha com o garfo ou pegá-la com a mão e comê-la imediatamente, não é mesmo? E por quê? Porque a batatinha é muito atrativa e saborosa! Sendo assim, sua atenção é direcionada para a batatinha e você nem vê o resto: quer imediatamente saboreá-la!
Na vida, se não tomarmos cuidado, vamos “devorando batatinhas” e deixando de ver e absorver o que é importante e nutritivo para nossa realidade e futuro. Pouco atentos à própria atenção, deixamos que nossas crenças e modelos mentais enraizados tomem conta do timão e direcionem nossa rotina diária de modo pouco consciente e, possivelmente, com baixa eficácia.
Decidir dar atenção a que, como, quando e por quanto tempo é o segredo das pessoas mais eficientes e eficazes. Elas sabem que a capacidade de dar atenção é limitada e que, portanto, precisa ser bem gerenciada. Como nossa atenção processa – mais eficientemente – uma coisa de cada vez a escolha a que direcionar a atenção é primordial. Quando não escolhemos, é a mente inquieta e dispersiva que fará essa escolha por nós e nessa, estaremos a seu dispor. Conseqüentemente, podemos ter agregado ao nosso dia apenas aquilo que nos foi oferecido por nossa “distraída” mente.
Ainda, é importante observar que boa parte de nossa aprendizagem ocorre conscientemente, ou seja, para aprendermos, via de regra, temos de prestar atenção a alguma coisa. O que não passa pela nossa atenção tem retenção inconsciente e como tal, temos dificuldade de recuperá-la. Para memorizar, aprender, recuperar e usar um conhecimento temos de ter lhe dado atenção em algum momento. Ocorre que muitas coisas que armazenamos sem atenção vão diretamente para um arquivo oculto em nossa mente, e ficam por lá a nos influenciar sem que saibamos. Muitas de nossas atitudes são derivadas de memórias não conscientes. Gostos, preferências e mesmo crenças e valores podem estar associadas a coisas ocultas em nossa memória.
Visto isso, fica claro que uma atenção pessoal à qual não se dá a devida atenção se torna algo que pula de uma fonte pra outra, sem orientação, sem aprofundamento – foco – e com pouca assimilação. Dando atenção à própria atenção, fazemos as escolhas. Definimos o alvo e dedicamos a este o tempo e foco que consideramos mais importantes. Não fazer isso é ficar colhendo apenas as batatinhas-fritas de nossos pratos! A batatinha pode ser bonita, atraente, gostosa... Mas é muito pouco nutritiva! Agrega mais carboidrato do que vitaminas. Ficamos obesos de coisas que pouco nos dão valor, deixando de nos alimentarmos de uma atenção mais saudável.
Se formos observar que segundo alguns autores estamos na era da desatenção e que nossa atenção é bastante disputada pelos outros e pelas diferentes mídias, veremos que se não ficarmos conscientes do que fazemos com nossa atenção – se não a gerenciarmos! – ela vai ser determinada pelos outros, pelos interesses deles e com isso, podemos nos tornar fantoches e não seres plenos e efetivos, timoneiros da própria existência.
Por isso tudo, o conselho final é de que tomem cuidado com a Síndrome da Batatinha-Frita! Em termos de sua atenção, ela pode te deixar gordo, preguiçoso, distraído, manipulado... E se um dia o planeta foi dos mais fortes, depois dos mais informados, hoje é dos mais atentos! Preste atenção nisso! Passe a gerir sua atenção antes que alguém mais atento faça isso por você!
Por: Henrique José Castelo Branco | 20/10/2009
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