A IMPORTÂNCIA DA ASSERTIVIDADE PARA A GESTÃO DE PESSOAS
Uma das subcategorias das Habilidades Sociais é o comportamento assertivo. Este refere-se a capacidade do indivíduo de se afirmar em interações sociais, defendendo seus direitos, expressando suas opiniões, idéias, necessidades e insatisfações e solicitando mudanças de comportamento das outras pessoas, sem desrespeitar os direitos dos outros (BANDEIRA, 2002).
De acordo com ALBERTI E EMMMONS (1978) cada pessoa tem o direito de ser e de expressar a si mesma, e sentir-se bem (sem culpas) por fazer isso, desde que não fira seus semelhantes no processo.
O comportamento assertivo é necessário em uma grande diversidade de situações sociais, sendo porém, particularmente importante naquelas situações cotidianas que envolvem conflitos interpessoais e enfrentamento e que podem resultar desconforto e estresse para os indivíduos (BANDEIRA, 2002).
Este tipo de comportamento inclui também habilidades de lidar com situações sociais negativas, como por exemplo, recusar um pedido abusivo, e positivas, tais como agradecer ou fazer um elogio (RATHUS em BANDEIRA, 2002).
O outro aspecto da assertividade é a habilidade de expressar amor, afeição, gostar, etc. Uma pessoa pode saber se defender de modo adequado, e, no entanto, não ser considerada assertiva, se ela não consegue expressar emoções e pensamentos positivos de modo adequado (ALBERTI & EMMONS, 1978).
Assertividade refere-se, portanto, à expressão de sentimentos e pensamentos positivos, tais como alegria, amor, satisfação, prazer, etc; tanto quanto aqueles que julgamos “negativos” como a raiva, o medo, a mágoa e outros que a sociedade nos ensinou a esconder. Também é assertivo expressar os pensamentos e sentimentos “neutros” e que se julga óbvios e tão claros que o outro deveria “adivinhar” o que está “dentro” de cada um (ALBERT & EMMMONS, 1978).
A comunicação inadequada, ou falta de assertividade, com colegas de trabalho, pode impactar o desempenho da empresa, possivelmente gerando conseqüências devastadoras (MIGUEL. & GARBI, 2003).
Sacrificar os próprios objetivos ou priorizar as necessidades e direitos do outro, em detrimento dos próprios, comportando-se de forma passiva, usualmente afeta a auto-estima e a autoconfiança trazendo a médio ou curto prazo insegurança e relações sociais insatisfatórias para o indivíduo (DEL PRETTE. & DEL PRETTE., 2000).
Uma das atividades mais comuns nas organizações de todos os portes é o trabalho em equipe. Durante o trabalho em equipe, os colaboradores precisam expor idéias, observações e apontar problemas para que tarefas sejam realizadas da melhor maneira possível contribuindo para o bem-estar da empresa. Os comportamentos assertivos mais diretamente relacionados à efetividade do trabalho em equipe incluem apontar erros/problemas, verbalizar soluções, e expressar e defender as próprias opiniões (MIGUEL. & GARBI, 2003).
O termo Feedback define essa prática de fornecer ao colaborador informações a respeito de seu desempenho. De acordo com a literatura em psicologia organizacional, esse tipo de informação permite que o colaborador altere seu próprio comportamento no futuro, corrigindo seus erros. Sistemas de feedback são uma das formas mais comuns de se maximizarem desempenhos individuais no ambiente de trabalho. Pesquisas nesta área demonstram que tal prática é importante, senão essencial na manutenção de comportamentos desejados dentro da empresa (MIGUEL. & GARBI, 2003).
As organizações têm enfatizado a melhoria da qualidade de seus produtos e serviços, procurando manter suas posições em um mercado extremamente competitivo. Para isso, é necessário desenvolver formas de se corrigirem falhas antes que essas atinjam diretamente o mercado consumidor. Identificar e apontar problemas de desempenho (dar feedback) durante o processo de produção, possibilita que os problemas identificados possam ser resolvidos de antemão, garantindo uma certa qualidade no produto ou serviço oferecido pela empresa. Assim, ser assertivo pode ser relevante quando considerarmos a importância do uso de feedback em organizações (MIGUEL. & GARBI, 2003).
- Treinamento de Assertividade
O treinamento do comportamento assertivo serve para desenvolver a capacidade de enfrentamento e resolução de problemas interpessoais atuando, portanto, como um fator de proteção para os indivíduos e visando promover uma melhora no funcionamento social e na qualidade de vida destes (BANDEIRA, 2002).
Muitos dos programas de treinamento em assertividade em organizações incluem o ensino de estilos de comunicação de “passivo” para “assertivo”. Em alguns casos, também é importante refinar formas de comunicação percebidas como “agressivas” (MIGUEL. & GARBI, 2003).
Estes programas geralmente adotam procedimentos de modelação, tarefas progressivas e exercícios situacionais. Procedimentos de modelação caracterizam-se por exercícios em que o treinador demonstra como os indivíduos devem se comportar e em quais situações, na expectativa de que estes possam aprender a partir da observação e imitação. Tarefas progressivas envolvem interações simples, em situação real e que, aos poucos, vão aumentando em complexidade até que o indivíduo se sinta confortável em situações mais desafiadoras (MIGUEL. & GARBI, 2003).
Diferentes métodos podem ser utilizados para motivar funcionários a comportar-se de uma maneira que seja benéfica para a organização como um todo. A maioria desses métodos baseia-se no uso de conseqüência favoráveis ou incentivos como reconhecimento, elogios, prêmios. Empresas que desenvolvem uma cultura em que funcionários agem de maneira positiva uns com os outros, elogiando realizações e resultados criam um ambiente prazeroso, em que a realização de tarefas torna-se algo positivo ou “reforçador” (MIGUEL. & GARBI, 2003).
REFERÊNCIAS:
ALBERTI, E. R.; EMMONS, M. L. Comportamento assertivo: um guia de auto-expressão. Belo Horizonte: Interlivros, 1978.
BANDEIRA, M.; MACHADO, E. L.; PEREIRA, E. A. Reinserção social de psicóticos: componentes verbais e não-verbais do comportamento assertivo, em situações de fazer e receber críticas. Psicologia: Reflexão e Crítica. v.15 n.1. Porto Alegre, 2002.
CABALLO, V. E. Manual de técnicas de terapia y modificación de conducta. Madri: Siglo Veintiuno, 1991.
CABALLO, V. E. Manual de avaliação e treinamento das Habilidades sociais. São Paulo: Santos Livraria, 2003.
DEL PRETTE, A.; DEL PRETTE, Z. Psicologia das relações interpessoais: vivências para o trabalho em grupo. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.
FALCONE, E. M. de O. Grupos. Em: RANGÉ, B. (org.) Psicoterapia comportamental e cognitiva. São Paulo: Editorial Psy, 1995.
MIGUEL, C. F.; GARBI, G. Assertividade no trabalho: descrevendo e corrigindo o desempenho dos outros. Em: CONTE, F. C.; BRANDÃO, M. Z. da S. (orgs.) Falo ou não falo? Expressando sentimentos e comunicando idéias. Arapongas: Mecenas, 2003.
MOSCOVICI, F. Desenvolvimento Interpessoal: treinamento em grupo. 10 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. Por: Marcele Karasinski | 30/07/2009
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