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PROGRAMA SER INTEGRAL: UMA EXPERIÊNCIA DE MEDIAÇÃO NA FORMAÇÃO DO EMPREENDEDOR BIOMIMÉTICO
HENRIQUE JOSÉ CASTELO BRANCO – FACINTER
MAGDA BRANCO– FACINTER
MARCELE KARASINSKI – FACINTER
MARÍA DEL CARMEN HERNÁNDEZ GONÇALVES – FACINTER
NEUSA SALETE VÍTOLA PASETTO– FACINTER
Resumo: O artigo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada na FACINTER – Faculdade Internacional de Curitiba – no Programa SER Integral na mediação da formação de empreendedores biomiméticos (conceito elaborado pelos autores e fundamentado na sustentabilidade). Para o alcance deste objetivo, o Programa tem como base as disciplinas de Desenvolvimento Pessoal e Interpessoal, Gestão de Conflitos, Comportamento Organizacional, Gestão de Pessoas, Empreendedorismo e Criatividade, distribuídas ao longo dos períodos do curso. Além disso, estratégias como Entrevista com um Empreendedor, Gincana, Projetos Sociais, Laboratório Vivencial e Avaliações complementam o processo de aprendizagem. Estas disciplinas e estratégias visam o desenvolvimento de aprendizagens relacionadas ao autoconhecimento, auto-estima, potencial criativo, pensamento crítico, responsabilidade social, relacionamento interpessoal, trabalhabilidade e espírito empreendedor. Os resultados obtidos com os alunos do curso de Administração (2006 e 2007) apontam o alto grau de satisfação destes com relação às aprendizagens proporcionadas pelo Programa e o alcance que estas tiveram em diferentes contextos.
Palavras-chaves: Empreendedor; Biomimético; Sustentabilidade
Introdução
O estudo sobre o empreendedorismo e seu personagem principal “o empreendedor” tem sido tema de muitas pesquisas. Isso vem confirmar a importância do papel do empreendedor no desenvolvimento da sociedade, não somente no mundo corporativo, mas também naquele que será deixado para as gerações futuras.
Segundo SHUMPETER (1934), o empreendedor tem como uma de suas funções a inovação e a promoção de mudanças que favoreçam o desenvolvimento e o crescimento econômico. O termo empreendedorismo abrange a promoção do desenvolvimento local integrado e sustentável, vinculado à capacidade de uma comunidade ser autora dos processos de mudanças essenciais ao seu crescimento e ao acesso de toda a população à riqueza gerada (BERMUDEZ, 2001).
Mudanças no cenário mundial e no mercado de trabalho têm exigido profissionais com capacidade de se adaptar às novas configurações e demandas. Para isso, é fundamental formar pessoas capazes de atuar e transformar esse novo contexto de forma responsável e sustentável.
As instituições educacionais assumem grande responsabilidade na formação destes futuros profissionais e/ou empreendedores. O ensino deve ter como foco o desenvolvimento de uma atitude crítica e responsável em seus alunos para que estes possam superar tais desafios e promover o desenvolvimento social. Portanto, cabe à universidade, não somente fornecer aos seus alunos de Administração conceitos de negócio, de planejamento, controle, desenvolvimento e gestão mas sobretudo, formação sistêmica, complexa e humanista.
A ênfase na multiespecialização é apontada por DEL PRETTE e DEL PRETTE (2001) como uma nova configuração do trabalho. Neste contexto, surgem demandas para habilidades como as de coordenação de grupos, liderança de equipes, manejo de estresse e de conflitos interpessoais e intergrupais, organização de tarefas, resolução de problemas e tomada de decisões, promoção da criatividade do grupo, etc. O trabalho em pequenos grupos mostra a necessidade de habilidades de supervisão e monitoramento de tarefas e interações relacionadas ao processo produtivo que, para ocorrerem adequadamente, exigem competência em requisitos como o de observar, ouvir, dar feedback, descrever, pedir mudança de comportamento, perguntar e responder perguntas entre outras (DEL PRETTE e DEL PRETTE, 2001).
Para os autores deste artigo, o desenvolvimento destas competências nos alunos será facilitado se estes forem conscientizados como seres integrantes da sociedade.
FREIRE (1998) diz que “a educação é uma forma de intervenção no mundo, mundo este onde o homem vive, age e convive em sociedade, não é um ser isolado, participa de um processo onde influencia e é influenciado pelo grupo, pela sociedade, pela cultura”.
Ao falar em educação é importante estabelecer diferença entre conhecimento e sabedoria. Mediante acesso e assimilação das informações desejadas, uma pessoa pode aumentar seu acervo de conhecimentos e tornar-se culta. Porém isso acaba sendo algo que pode ser usado tanto para o bem como para o mal. Nesse caso, vê-se que uma pessoa culta difere de uma pessoa sábia. A sabedoria implica em elevação moral, alicerçada sob valores corretos e que, direciona a pessoa para o que é certo. A formação do saber não é uma atividade passiva, pelo contrário, se trata de uma ação prática, dinâmica, refletida e sentida. O sábio, dentro de sua especialidade, também é um homem culto, mas não se pode dizer que homens cultos são necessariamente sábios. O conhecer, por si só, é algo egoísta e pessoal, enquanto o saber tem um aspecto compartilhado, cooperativo, social e evolutivo.
Com essa diferenciação de conhecimento e sabedoria passa-se de uma situação de desenvolvimento do conhecimento para a de desenvolvimento do conhecimento aplicado que, para os autores desse estudo, denomina-se sabedoria, conforme figura abaixo:
Figura 01: Evolução do Empreendedor: do contexto colonizador à sustentabilidade. Fonte: elaborado pelos autores
Conforme ilustrado na Figura 01, o mundo herdou uma economia e sociedade do tipo colonizadora, que se aproveita da abundância, não gera sustentabilidade, é altamente consumista (acima do limite que o planeta é capaz de se recompor), desigual (temos sociedades em todos os degraus de riqueza, qualidade de vida e distribuição de renda) e excessivamente competitiva. Nela reina o empreendedor colonizador, aquele que busca a efetividade econômica se colocando como um líder impositivo1, que age em prol do lucro a qualquer custo, mesmo que seja em um jogo do tipo “perde – ganha” (para alguém ganhar, outro tem de perder). Além disso, tem uma postura “EGO-lógica”2, ou seja, o foco está no Eu, no atendimento das necessidades pessoais, no “TER”, possuir, dominar.
“A separação entre corpo e mente, transformada por Descartes numa regra fundamental, nos levou a considerar que o mundo fora de nossas mentes nada mais é que matéria sem vida funcionando de acordo com leis previsíveis, mecânicas e desprovidas de qualquer qualidade espiritual. Essa regra, distanciou o homem da natureza viva que o sustenta. Isso forneceu à humanidade a desculpa perfeita para explorar todos os recursos naturais com a finalidade de atender aos próprios objetivos imediatos e egoístas, sem qualquer preocupação com outros seres vivos ou o futuro do planeta”. (ARNTZ, 2007, p.19)
Isso explica porque o registro de efetividade do empreendedor colonizador é medido em termos do PIB (Produto Interno Bruto), tendo como alvo o sucesso, independente das conseqüências.
É necessário uma quebra de paradigma da economia & sociedade “colonizadora” para uma biomimética. ARNTZ (2007) entende paradigma como um conjunto de premissas implícitas que não se pretende testar, pois na verdade são essencialmente inconscientes. São parte do nosso modus operandi como indivíduos, como cientistas ou como sociedade. É como o sistema inconsciente de crenças de uma cultura. As pessoas vivem e respiram essas crenças; pensam e interagem de acordo com elas.
BENYUS (1997) define biomimética como “a imitação consciente da genialidade da vida”. Para isso, é preciso analisar o que, no mundo natural, funciona e, “mais importante, o que é duradouro”. Propõem-se então que esta mentalidade alcance os processos de inovação, dentro dos conceitos de sustentabilidade, consciência social e ambiental, para prover assim necessidades atuais sem comprometer o direito das gerações futuras.
Nesta perspectiva, SACHS (2007) confirma que não é propriamente o crescimento que se deve questionar, mas o seu caráter selvagem. Torna-se imperativo adotar uma postura preventiva que identifique tudo o que um empreendimento pode fazer de positivo, para ser maximizado, e tudo o que pode fazer de negativo para ser minimizado. (ALMEIDA, 2002).
Há ainda o reforço de CAPRA (2003) ao dizer que “o desafio deste novo século será a construção de comunidades ecologicamente sustentáveis, organizadas de tal modo que suas tecnologias e instituições sociais não prejudiquem a capacidade intrínseca da natureza de sustentar a vida”.
A ação empreendedora dentro do paradigma biomimético não exclui a busca da efetividade econômica e muito menos a busca do sucesso, mas busca um “fazer acontecer” com valores mais sólidos, em círculos virtuosos de ação empreendedora. Dá preferência ao jogo do tipo “ganha – ganha”, no qual o ganho de um não significa necessariamente a derrota do outro.
Segundo a definição de Lester Brown (Brown apud Sachs) do Worldwatch Institute para o desenvolvimento sustentável “uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras”. Essa definição exclui toda ação manipuladora e, mediante integração e cooperação, atua com respeito, com postura “ECOlógica”, que integra e busca o equilíbrio e uso correto e renovável das energias e demais recursos.
O empreendedor biomimético tem como foco a busca do crescimento do “SER”, sabendo que isso representa muito mais do que o “TER” e que esse retorno material é uma conseqüência e não a meta única de sua ação. Segundo SACHS, o desenvolvimento integral de cada homem e de todos os homens só poderá ser generalizado por meio da construção de uma civilização do ”Ser”, na partilha equilibrada do “ter”. A extrapolação das tendências atuais só poderia, ao contrário, acentuar o desvio para o apartheid social. (SACHS, 2007, p.265).
Essa visão é reforçada por DOLABELA (2003) quando afirma que se o sonho é individual na sua concepção, é coletivo na sua finalidade, uma vez que deve necessariamente oferecer (e não subtrair) valor para a comunidade.
O registro de efetividade desse empreendedor é medido em termos do FIB (Felicidade Interna Bruta) de sua sociedade. Esse é um recente conceito de desenvolvimento social, citado por Susan Andrews, que surgiu em contrapartida ao PIB. O termo foi cunhado originariamente pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuck em 1972 em resposta a críticas que diziam que a economia do seu país crescia miseravelmente.
O que o empreendedor biomimético busca é que exista o máximo de igualdade, respeito e satisfação de todos, pois somente assim é possível ter uma verdadeira e sustentável felicidade. Por isso, o empreendedor biomimético tem muito mais chance de realização, pois o que alcançar será sustentável, baseado no equilíbrio, respeito e cooperação.
Sendo assim, verifica-se que a formação do empreendedor biomimético remete a uma integração dos fatores intelectuais, emocionais, sociais, ambientais e espirituais, levando ao conceito do homem integral.
“O homem integral é o indivíduo essencialmente constituído e que desenvolveu ao máximo as três faculdades irredutíveis entre si: a faculdade de pensar, a de sentir e a de querer”. Ordinariamente, a referência a essas três faculdades é feita utilizando as expressões razão, sentimento e vontade”. (MASSI, 2006).
A migração da formação de um empreendedor colonizador para o biomimético é um processo paulatino, complexo e de longo prazo. Entretanto, vale ressaltar que já existem iniciativas baseadas no conceito da biomimética. BENYUS (2007) aponta as empresas General Eletric, Wal-Mart e Visa Internacional como exemplos de organizações que têm projetos na linha da biomimética, aprendendo com a natureza a respeito de como obter sustentabilidade e aplicar o conceito aos negócios.
Dentro do atual contexto, para se chegar ao biomimético, é preciso passar pelo colonizador. Não é uma ação de exclusão, mas sim de complementaridade, transformação e evolução. Trata-se de uma mudança de paradigma em termos da ação do empreendedor, de seus valores, crenças, emoções e saberes. DEMO (1995), resume esse desafio na competência construtiva e participativa. Uma sociedade educada é aquela composta por cidadãos críticos e criativos, capazes de indicar o rumo histórico, coletivamente pretendido e sobretudo desenvolver, maximamente, a oportunidade histórica disponível.
O Programa SER Integral
O presente artigo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada na FACINTER – Faculdade Internacional de Curitiba – no Programa SER Integral que, dentro de seus objetivos, age mediando a formação do empreendedor biomimético dos alunos do curso de Administração.
A instituição está sujeita às resoluções e diretrizes do MEC e do Conselho Federal de Administração (CFA). Os dados contidos no artigo 3 das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Administração, permitem destacar a preocupação com a formação humanística do administrador, reforçando a necessidade de uma formação sólida como gestor e gerenciador de pessoas e processos.
O curso de Administração de Empresas tem como objetivo formar profissionais para atuarem no contexto empresarial moderno. Para tanto oferece capacitação técnico-científica para interpretar, elaborar e transformar recursos e resultados, com sólida competência e responsabilidade social e ambiental.
Realizando uma análise do perfil do curso de administração e do conjunto mínimo de habilidades e competências preconizado pelo MEC e pelo CFA, fica notória a necessidade da instituição FACINTER de propiciar aos alunos uma formação que desenvolva suas capacidades humanísticas, isto é, de conhecer-se, relacionar-se, comunicar-se, liderar pessoas, tomar decisões, entre outras. Foi criado, então, o programa Ser Integral constituído pelas seguintes disciplinas:
· Desenvolvimento Pessoal – Objetiva o autoconhecimento do aluno e uma reflexão sobre seus talentos.
· Desenvolvimento Interpessoal – Permite aos alunos compreenderem a melhor forma de lidar com as questões relacionais.
· Gestão de Conflitos – Desenvolver nos alunos habilidades e atitudes na administração e solução de problemas reais.
· Comportamento Organizacional – Preparar o aluno para identificar a interação dos três elementos que compõem as organizações (tarefas, grupos e pessoas).
· Gestão de Pessoas – Desenvolver no aluno habilidades de gestão de pessoas, enfocando o fator humano como elemento estratégico para o sucesso das organizações.
· Empreendedorismo e Criatividade – Estimular o espírito empreendedor e criatividade nos alunos.
O conjunto de disciplinas que dão forma e sentido ao Programa SER Integral tem como objetivo efetivar o seguinte conjunto de aprendizagens: Desenvolvimento do autoconhecimento (melhor gestão pessoal e profissional); Desenvolvimento do potencial criativo; Desenvolvimento do pensamento crítico; Desenvolvimento da responsabilização social individual e o espírito de solidariedade e compromisso com a sociedade; Desenvolvimento da habilidade de relacionamento interpessoal; Desenvolvimento da trabalhabilidade; Desenvolvimento da auto-estima (maior segurança pessoal); Desenvolvimento do espírito empreendedor.
Ciente da necessidade de formar profissionais preparados para administrar processos e pessoas que estejam compatíveis com as demandas sociais e ambientais, a equipe de professores do Programa Ser Integral, além das tradicionais técnicas e práticas didático-pedagógicas, desenvolveu um conjunto diversificado e diferenciado de ações e estratégias de aprendizagem, como: dinâmicas de grupo, vivências, meditações, atividades corporais, atividades artísticas. Destacam-se ainda: entrevista com empreendedor; Gincana; Feira do empreendedor; Desenvolvimento de Projetos Sociais; Elaboração e exposição de mapas mentais. Por fim, são realizadas avaliações semestrais que tem como objetivo avaliar a efetividade do programa.
Método
Participaram das avaliações realizadas pelo SER Integral 268 alunos que estavam completando o 5º período em 2006 e 2007 e portanto encerrando sua participação no Programa. Importante ressaltar que se trata de alunos que estavam cursando o 5º período de um total de 8 períodos, podendo ser considerado, assim, como estando no meio do curso de graduação. Também é relevante informar que se trata de alunos oriundos das classes econômicas C e D, com distribuição por gênero na proporção de 53% masculino e 47% feminino. A faixa etária dos alunos é de 56% de 21 a 25 anos e de 12% acima de 31 anos. Com relação ao nível ocupacional, 85% atuam operacionalmente; 15% taticamente e nenhum deles atua no nível estratégico.
Os instrumentos de avaliação são aplicados a cada semestre, visando percepção e análise do cumprimento do objetivo de efetividade da mediação do Programa SER Integral para a formação do perfil biomimético dos alunos.
O formulário de avaliação é composto de perguntas abertas e fechadas, começando com o questionamento em relação às aprendizagens proporcionadas pelo Programa. Em seguida, é questionado o impacto do Programa na vida do aluno. Por fim, são solicitadas críticas, sugestões, destaque de pontos positivos e negativos do Programa.
As avaliações foram realizadas em sala de aula pelos professores integrantes do SER Integral, em seus respectivos horários de aula. Foi solicitado aos alunos que respondessem o questionário Avaliação Geral do Programa SER Integral, sem se identificarem, levando em consideração os dois anos e meio vivenciados do Programa e o que este lhes proporcionou tanto em sua vida acadêmica, como pessoal e profissional.
Tabulação e Análise dos Resultados das Ações do Programa SER Integral
Tabela 01: Porcentagens referentes às aprendizagens proporcionadas pelo Programa segundo avaliação dos alunos (N=268)
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Aprendizagens (%)
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Não respondeu (%)
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2006
|
2007
|
2006
|
2007
|
2006
|
2007
|
2006
|
2007
|
|
1 - Desenvolvimento da autoconhecimento para um melhor gestão pessoal e profissional
|
0,00
|
0,00
|
11,75
|
9,59
|
29,48
|
17,38
|
58,77
|
73,05
|
|
2 - Desenvolvimento do potencial criativo
|
0,00
|
0,00
|
7,44
|
9,66
|
35,46
|
24,21
|
57,10
|
66,13
|
|
3 - Desenvolvimento do pensamento crítico
|
0,00
|
0,00
|
11,35
|
12,42
|
28,71
|
18,71
|
59,94
|
68,87
|
|
|
0,95
|
0,00
|
10,55
|
5,50
|
26,00
|
13,67
|
62,51
|
80,84
|
|
5 - Desenvolvimento da habilidade de relacionamento interpessoal
|
0,00
|
0,00
|
12,29
|
11,29
|
20,70
|
17,38
|
67,01
|
71,34
|
|
6 - Desenvolvimento da trabalhabilidade
|
0,55
|
0,00
|
14,87
|
13,30
|
38,44
|
21,46
|
46,15
|
65,25
|
|
7 - Desenvolvimento da auto-estima (maior segurança pessoal)
|
0,00
|
0,67
|
16,36
|
11,96
|
27,63
|
18,42
|
56,02
|
68,96
|
|
8 - Desenvolvimento do espírito empreendedor
|
0,55
|
0,67
|
11,36
|
11,00
|
27,63
|
14,34
|
60,48
|
74,01
|
|
Média
|
0,25
|
0,17
|
11,99
|
10,59
|
29,25
|
18,19
|
58,50
|
71,05
|
Conforme dados da Tabela 01, é possível verificar que todas as aprendizagens objetivadas pelo Programa, foram avaliadas pela maioria dos alunos (58,50% em 2006 e 71,05 em 2007) como satisfatórias. Merece destaque o grau de satisfação dos alunos no que se refere às aprendizagens de Desenvolvimento da responsabilização social (62,51% em 2006 e 80,84% em 2007) e Desenvolvimento do espírito empreendedor (60,48% em 2006 e 74,01% em 2007).
Tabela 02: Porcentagens referentes ao impacto do Programa na vida do aluno (N=268)
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Contextos/Ação
|
Não respondeu (%)
|
|
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2006
|
2007
|
2006
|
2007
|
2006
|
2007
|
2006
|
2007
|
|
1 - Aplicar atitude constante de autoconhecimento para aprimoramento de sua relação consigo e com os outros
|
0,00
|
1,04
|
8,38
|
12,63
|
34,52
|
28,00
|
57,11
|
58,33
|
2 - Planejar sua vida pessoal e profissional de forma equilibrada levando em consideração sua condição de ser integral e a importância da qualidade de vida
|
0,00
|
1,71
|
7,04
|
12,34
|
34,09
|
18,88
|
64,32
|
67,09
|
|
3 - Aprimorar seu estilo de posicionamento pessoal através do desenvolvimento da assertividade e da auto-estima
|
0,00
|
1,04
|
10,40
|
13,01
|
30,17
|
17,67
|
59,43
|
68,29
|
|
4 - Responsabilizar-se pelas escolhas pessoais
|
0,55
|
1,04
|
8,38
|
13,75
|
21,25
|
18,71
|
69,83
|
66,50
|
|
5 - Conduzir de forma adequada grupos (decisão, mudanças, comunicação, visão compartilhada e aprendizagem em equipe)
|
0,00
|
1,04
|
8,81
|
9,21
|
28,25
|
20,50
|
62,94
|
69,25
|
|
6 - Flexibilizar-se para utilizar os diferentes estilos de liderança
|
0,00
|
1,04
|
14,22
|
13,38
|
34,37
|
18,50
|
51,42
|
67,09
|
|
7 - Comunicar-se de forma adequada
|
0,00
|
1,04
|
14,75
|
14,04
|
25,71
|
24,21
|
59,54
|
60,71
|
|
8 - Promover mudanças que aprimorem suas relações interpessoais
|
0,00
|
2,38
|
8,92
|
13,00
|
39,24
|
26,50
|
51,85
|
58,13
|
|
9 - Intervir nos diferentes aspectos relacionados ao poder
|
0,00
|
2,38
|
15,16
|
18,50
|
38,01
|
28,00
|
46,84
|
51,12
|
|
10- Identificação dos conflitos presentes em grupos e equipes
|
0,00
|
2,38
|
14,87
|
13,01
|
24,08
|
20,13
|
61,06
|
64,50
|
|
11- Solucionar de forma adequada conflitos presentes em equipes de trabalho
|
0,55
|
3,04
|
10,70
|
16,05
|
34,34
|
26,29
|
54,42
|
54,63
|
|
12- Solucionar problemas de clima e conflito organizacional
|
0,55
|
3,04
|
8,38
|
15,66
|
39,78
|
21,17
|
51,30
|
60,13
|
|
13- Motivar equipes de trabalho
|
0,55
|
3,04
|
12,44
|
13,67
|
30,72
|
20,71
|
56,31
|
62,59
|
|
14- Gerenciar mudanças organizacionais
|
0,55
|
2,38
|
11,50
|
14,42
|
36,26
|
23,54
|
51,71
|
59,67
|
|
15- Propor e fazer intervenções na cultura da empresa
|
0,55
|
2,38
|
15,16
|
20,50
|
41,12
|
18,34
|
43,19
|
58,80
|
|
Média
|
0,22
|
1,93
|
11,27
|
14,21
|
32,79
|
22,08
|
56,08
|
61,79
|
Os dados da Tabela 02 demonstram o grau de satisfação da maioria dos alunos (56,08% em 2006 e 61,79 em 2007) no que se refere aos diferentes contextos de aplicação das aprendizagens promovidas pelo Programa Ser Integral.
Em 2006, os contextos com maior porcentagem do grau de satisfação dos alunos referem-se à responsabilidade pelas escolhas pessoais (69,83%) e ao planejamento da vida pessoal e profissional (64,32%). Já em 2007, 69,25% dos alunos apontam a condução de grupos, e 68,29%, o posicionamento, assertividade e auto-estima.
Conclusão
Esses conceitos, vistos assim, podem parecer utópicos e filosóficos, porém, o homem em seus primórdios, também não achava possível viver em apenas um local. Só via o paradigma nômade e tudo mais lhe parecia inviável. Quando o ser humano quebrou o paradigma de que a Terra não era redonda, foi capaz de navegar em busca de novos mundos. Quando se viu capaz de não somente sonhar, mas de realizar a idéia de sair pelo espaço, acabou na Lua e depois em Marte, Vênus e outros planetas. Não é pelo fato de termos séculos de ação colonizadora que agora estamos impedidos de agir de modo sustentável.
Quando acreditamos que o caminho é certo, desejado e evolutivo, podemos empreender em sua direção com fé, determinação e uso potencializado de nossas competências e conhecimentos. Isso nos ajuda a nos tornarmos mais sábios, pois “sabedoria” é a prática concentrada, dedicada e plena de nossos conhecimentos, usando experiências, talentos e habilidades na construção de algo que desejamos realizar. O empreendedor biomimético, assim como diziam os filósofos gregos da antiguidade, sabe que o guerreiro não é apenas aquele com habilidades para a luta, mas sim o que mais precisa de sabedoria para alcançar os resultados desejados. Força sem inteligência é muito mais destrutiva, consumista e ineficaz que inteligência aliada à força. Quando todo o potencial é usado tendo como base a sabedoria – tanto mental como emocional – o impacto negativo, o desperdício e o uso dos recursos é minimizado e o resultado potencializado.
É tempestiva a transição dos empreendedores do conceito colonizador para o biomimético. Precisamos de seres humanos tão sábios quanto a natureza para podermos viver em paz, prosperidade e equilíbrio em nosso único planeta. O difícil é quebrar o paradigma do consumo pelo da sustentabilidade. Porém, parte do sucesso dessa empreitada passa pela forma como as universidades abordam a questão da formação empreendedora.
O atual foco de “ensinar” empreendedorismo está mais para o conceito colonizador do que para o biomimético. Para se chegar ao empreendedor biomimético, além do ensinar buscando o conhecimento, é preciso que esse seja incrementado pela prática, reflexão e experimentação para que transite efetivamente para a desejada sabedoria empreendedora. O foco das universidades, além do “ensino”, deve ser a mediação para que a vivência apoiada pelo conhecimento se efetive como sabedoria na mente e coração dos jovens empreendedores universitários.
O alcance dos objetivos do Programa SER Integral (mediar o processo de formação dos requisitos biomiméticos básicos tais como autoconhecimento, solidariedade, trabalhabilidade, espírito empreendedor, auto-estima, relacionamento interpessoal, responsabilização ecológica, criatividade, entre outros), pode ser interpretado como eficaz quando mais de 70% dos entrevistados se mostram satisfeitos com os aprendizados gerados pelo Programa. Com destaque para o “Desenvolvimento da responsabilização social individual e o espírito de solidariedade e compromisso com a sociedade” que foi a única aprendizagem a superar o marca dos 80% e que tem total pertinência com o empreendedor biomimético. Em segundo lugar entre as aprendizagens, está o “desenvolvimento do espírito empreendedor”, que novamente nos remete ao foco do presente estudo e seu vínculo com o Programa Ser Integral.
Considerando que os sujeitos da pesquisa estão inseridos no 5º. período do curso, pertencem a classe econômica C e D (em sua maioria) e profissionalmente atuam em nível operacional, conclui-se que o percentual médio próximo de 60% de satisfação de aplicabilidade destas habilidades na vida desses alunos é um grande resultado. Ainda mais, estando esses itens e ações analisadas em total conectividade com o empreendedor biomimético.
Face a tudo que foi colocado, tomamos a liberdade de convidar todos aqueles que estão no papel de educadores a, a partir desse momento, fazer conosco uma reflexão. Não cabe à universidade somente fornecer aos seus alunos de Administração os conceitos de negócio, de planejamento, controle, desenvolvimento e gestão, mas também uma formação mais sistêmica, complexa e humanista. Os estudantes precisam de uma base mais reflexiva, integrativa, inclusiva e mais próxima da “sabedoria da natureza” (biomimética). Isso tudo, só lhes será útil se for somada ao “ensinar” o “vivenciar”. Por isso, iniciativas práticas e efetivas, organizadas e mediadas por professores “biomiméticos”, são indispensáveis para suportar o processo de formação da sabedoria empreendedora, que é a base do empreendedor biomimético.
Esse “vivenciar”, mediado pelos professores, é algo que exige das instituições de ensino um “sair do quadrado”, um perceber seu papel de forma mais ampla, e isso demanda um processo de aprendizagem que extrapole os limites físicos da faculdade.
O ensino para apoio à formação da sabedoria empreendedora precisa acontecer de forma direta, sentida, vivenciada, tanto na prática da teoria como na conexão com a sociedade e o meio ambiente. O estudante precisa fazer acontecer de modo intelectual e emocional seu papel de transformador da sociedade, de principal responsável pelo futuro das próximas gerações. Sua ação vivencial precisa ser capaz de levá-lo à reflexão, à sensação, à compreensão e, principalmente, ao crescimento como ser humano, como gestor, como cidadão e como co-autor da realidade que teremos no futuro. O grande desafio é efetivar essa mediação de forma a efetivar essa sabedoria no empreendedor, evitando que ele se torne mais um competidor colonizador e se efetive como um empreendedor biomimético.
A experiência do Ser Integral apresentada aqui, apesar dos bons resultados, ainda precisa evoluir, ampliar e sofrer ajustes em seus métodos, práticas e estratégias. Mesmo assim, o Programa tem a consciência de estar no caminho certo, levando aos jovens empreendedores a oportunidade de uma formação biomimética, sustentável, justa e mais próxima da sabedoria da natureza.
Por: Henrique José Castelo Branco, Magda Branco, Marcele Karasinski, Maria Del Carmen Hernández Gonçalves e Neusa Salete Vítola Paseto | 24/06/2009
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